Enquanto espero por ti
Meu coração acelera e desacelera
Parece um pouco desajeitado
Neste meu frenesim
O pobre coitado!
Passam tempos e tempos
Hora a hora, minuto a minuto
Segundos sem fim
E nenhum sinal de ti....
Olhando para a luz da estrada
Ela própria uma bola de cristal
Que ilumina o meu passado
Penso em tudo o que está mudado
Por eu te ter abandonado.
Sou a má da fita à vista de todos
Até o sou para ti
Como se no nosso passado
O amor que senti
Tivesse tão pouco significado
Que não chega para acreditares em mim.
Apareces à janela
Olhas-me que eu sei
Eu vi
Mas finges que não
Que olhaste para a imensidão do céu
Da rua, da estrada
Mas que não me viste a mim.
Sei que não é verdade
Que o teu coração sente que estou aqui
Mas evita a todo o custo
Ficar magoado, de maneira irreparável
Por causa de mim.
Sinto gritar o teu nome
Tão baixinho para ninguém ouvir
Sei que o ouves
Sei que sabes que sou eu que estou aqui
Sei que para o pé de mim queres vir
Mas esse medo teu continua a impedir.
Meto as garras de fora
Tal gata assanhada pronta a agarrar-te
Penso que não te posso tocar
Mas se estivesses ao pé de mim
Sei que ultrapassaria a barreira de pensar.
Sei que estás a dormir
De consciência pesada por eu estar aqui
Mas o teu orgulho é tão grande
Que não és capaz de vir cá ter e o admitir.
Tenho pena que assim seja
Que fujas tão depressa assim
Sou só eu que estou aqui
Aquela pessoa que amaste
Vem cá, olha para mim...
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